RICOTTA #108 - NÃO COMA SUAS MUSAS(DE PRIMEIRA)
"Eu não desaprendi a amar. Só tenho andado com as garotas erradas, baby." Quando o tempo só serviu mesmo pra que eu descobrisse que meu cabelo fica legal mesmo é quando eu reparto ele mais pra perto do centro da cabeça do que de costume. É lógico. Isso é um exagero, os anos me trouxeram coisas maravilhosas. Eu tenho andado com dificuldades grosseiras pra conseguir entrar de novo numa academia, isso é algo. Além disso e talvez um pouco por causa disso, as sacações tão pipocando cada vez mais. "Não se esqueça de que você é um escritor, hein?" Enfim. Eu nunca penteio o cabelo do mesmo jeito mesmo. NÃO COMA SUAS MUSAS (DE PRIMEIRA) por felipe ricotta (deluxe edition) www.carolazevedo.zip.net www.fotolog.com/felipericotta1 www.myspace.com/felipericotta1 www.myspace.com/felipericotta2 "Now she's gone. Love burns inside of me." (Black Rebel Motorcyle Club) Assistindo NOVE CANÇÕES, o filme, me apaixonei de vez pelo Black Rebel Motorcycle Club. E descobri o real significado de YOU WERE THE LAST HIGH do Dandy Warhols, música escrita em parceria com o gênio Evan Dando, segundo meu background de infos desnecessárias internéticas. Mas ela achou o filme uma merda, fiquei sabendo depois. "Já viu AOS 13? Esse sim é um filmão!" Acho que fiquei um pouco mais a fim dela depois desse comentário, mas isso não significa que eu não tenha achado que foi algo bem idiota de se dizer. (descobri dias depois que estávamos falando sobre filmes diferentes, ela ainda não viu 9 CANÇÕES...) Quando uma mulher incomoda a minha INTELECTUALIDADE ADQUIRIDA INDIE-ALTERNATIVE DE MIERDA, é porque ela tá no caminho certo pra me conquistar. Foi, digamos assim, uma absurda falta de sensibilidade, pô! Como assim ela não achou lindo aquelas cenas de sexo explícito divididas entre todos aqueles shows legais? Pô, o cara na Antartica no meio daquele gelo todo, viajando naquela analogia perfeita e...Olha, eu preciso ver esse filme de novo e ter a certeza absoluta de que ele tem tudo a ver comigo e com 97% do público da maioria dos shows legais e vazios que rolam aqui no falido underground carica. O que impede a identificação instantânea do meu pau com o pau daquele maluco entrando e saindo é algo que tem a ver com o vazio de se fechar num estilo de vida repetitivo, saca? Hoje quando eu me percebo assistindo shows o tempo inteiro e fazendo sexo o tempo inteiro (com garotas diferentes, o que é uma pena mas a culpa não é só minha), clamo por Micaretas, retorno às raízes itajubanas, amigos playboys e até mesmo pelo GOL, O GRANDE MOMENTO DO FUTEBOL. Como um bom rocker contestador, cago pro rock de vez em quando só pra contrariar essa nuvenzinha escura da contrariedade que às vezes enche a porra do meu saco. Ou então, eu sacaneio mesmo e acabo conseguindo de verdade me emocionar ouvindo RIDE THE WIND do POISON ou algo do JEFF BUCKLEY com a mesma intensidade . E isso não é pra qualquer fanzinho de Sonic Youth não, falou? (...) Meus textos ficam muito melhores quando eu consigo exorcizar os fantasmas das bandas que eu assisto e dos malditos assessores de imprensa, que não tem a menor culpa por serem malditos. Acho que preciso parar de ir à shows. (...) FESTCAP no Teatro Odisséia, um festival de bandas do CAP. Se foi o da Uerj, então era o meu ex colégio. Fiquei do lado de fora, uma das bandas tocava THE USED. Na minha época, eu tocava BLINK e WANDER WILDNER. Já se foram mais de 7 anos e todos os meus colegas de CAP envelheceram com dignidade - eu sinto cheiro de merda em alguns scraps de Orkut deles. E eu lá, na porta da parada, louco pra saber o que tava rolando. Olhava pras gatinhas alternativas menores de idade na porta e... "Já ouviu falar de Síndrome de Peter Pan?" "Então... eu tenho." - e sinto vergonha por mim mesmo mais do que o necessário só pelo tesão martírico da coisa, gatinha do CAP. O bom de ficar velho é que você acaba criando uma relação doida com as gatinhas menores de 18. Elas precisam de você pra se iniciarem com mais segurança nesse processo louco, nesse aprendizado COMO AGIR E SE PORTAR COMO MULHER DE VERDADE NESSE MUNDO. É algo sexual, mas que não precisa se transformar em ato. Está muito além disso. Enquanto você precisa delas (por vários motivos mas principalmente) pra fazer ciúme nas garotas da tua idade que em sua grande maioria são um saco ou então estão namorando algum Pato Gordo Com Pêlos No Peito. É algo sexual, mas que não precisa se transformar em ato. Está muito além disso. Mas nessa brincadeira, você pode dar o azar de se apaixonar. Ou até mesmo dar a sorte de poder escolher e inventar Amorzinhos Love Story pra poder brincar de Drama Queen. Se aumentar ou se diminuir na Escala Emo Sentimental conforme às necessidades criativas artísticas - meus textos, minhas músicas, meus melhores momentos. E cagar pra elas enquanto elas se sentem Musas Inspiradoras. (ps: ah, se elas soubessem sobre o egofreak fdp dichavado que sempre comanda o meio campo, bate pra caraleo Simeone Style e principalmente, que tem um pusta estilo quando quer, eu assumo.) (...)
Escrito por Felipe Ricotta às 01h28
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CONTINUAÇÃO DA RICOTTA #108
"Você é minha idealização mais foda de todas. Mas nem precisa ficar se achando por isso. Pois ela é minha e não sua, porra." Eu gosto de deixá-la em casa. Não falar nada, travar a vontade tesuda pra magia morrer de chapada. E deixar ela sentir no ar o meu prazer de querer protegê-la dessa merda de mundo, principalmente das pessoas idiotas. "Aí, Ricotta. Essa garota é mó piranha, tu fica dando muita moral." - dos homens idiotas que se apavoram com ela. Acho que hoje eu comprava a briga, ela vale a pena. Mas enfim, ela nunca saca o silêncio confortável, sempre estraga tudo. "(...)" - como assim eu sou um amor, cê tá loka? Ela ainda não percebeu, e ninguém nunca percebe, a importância de se construir uma relação, sem saber direito onde aquilo vai dar, o que vai se tornar. Enquanto ela não sabe direito o que está acontecendo e fica falando qualquer merda pra disfarçar o medo - cabeça de mulher alcoolicamente aditivada gera caos, elas já têm Os Hormônios em Fúria, saca? - eu fico em outro plano lapidando a tensão sexual. Boto metade dela (da tensão) dentro do bolso da calça, bem perto do pau, que é pra MAGICAR a foda e a outra metade vai dentro do bolso da camisa social do meu pai que eu uso, bem perto do coração, que é pra transformar o desejo inexplicável em sentimento. Às vezes, eu quase chego a acreditar que ela entra no jogo também. Com o olharzinho de menininha combinando com o sorriso, a tirada certa de putinha inexperiente que fala demais. O jeito mais doce de dizer NÃO é o melhor chamariz pra outras insinuações. Então eu continuo me insinuando e torcendo pra ganhar doces NÃOS. Ela se despede, beijo no rosto broxante, sai do carro deixando o link pro dia seguinte como sempre e eu aceito a bundinha dela balançando rua afora se afastando do meu campo de visão. Até que eu abro o vidro do carona e berro EI. Lá de longe, ela vira e olha pra trás. "Eu te amo." - é lógico que eu me esforço o máximo possível pra soar irônico. "(...)" Ela vacila e o sorriso, que era originalmente apenas pra dentro, acaba vazando pela boca. E ela manda eu me foder por mímica, balançando uma das mãos. Platonismo com o timing ideal é o auge do poder da prorrogação do prazer, mas é difícil administrar isso. Cê pira. (...) Até que com o tempo eu canso e mudo de tática, passo a fingir desinteresse - o orgulho, porra. Fraquejando às vezes, lógico. Nem o pau nem o coração são de ferro. "Dorme lá em casa hoje." "Não posso, tenho que abrir a loja." "(...)" - vá à merda então, te odeio. Dias se passam, a raiva pós-fora te guia a caminhos mais audaciosos, aparecer com outras, beijar outras na frente dela. Ela passa a acreditar que você definitivamente tava só falando da boca pra fora, que era só tesão de álcool, boemia forçada. Pronto. Fica tudo de igual pra igual de novo. Mas não dura muito porque eu já fico louco pra mostrar pro mundo (e pra ela) que ela não sai da minha cabeça. E começa tudo de novo. Quando essa folha de caderno tava em branco uns minutos atrás, eu tava fazendo tudo certo pra te conquistar. Agora que você tá lendo isso aqui, voltei pro Limbo Amigo, verdadeira Casa Dos Artistas. O doido é perceber que o meu poder SÓ funciona com todas as mulheres do mundo que vão me ler e vão me querer. Menos com você. Com elas, eu me banho em vaidade, ganho o dobro de força. Pr'eu chegar perto de você de novo e ser sugado até a alma. Pra você me deixar exatamente como eu quero ficar. FRACO E TOTALMENTE DEPENDENTE DESSE TEU IT, putinha. * Felipe Ricotta é artista sensível com feeling.
Escrito por Felipe Ricotta às 01h22
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