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RICOTTA #743 - A RICOTTA QUE NINGUÉM ENTENDEU
(a reflexão pré-estragação) "Enfim que tá na hora de parar de olhar por essa janela, parar de olhar o mundo de longe e viver de perto. Conhecer umas garotas, de repente até trazer uma delas aqui pra casa pra gente ter uma noite de sexo chapado preguiçoso sem sentimento. Mas na verdade não é por isso que eu tô aqui agora." A RICOTTA QUE NINGUÉM ENTENDEU por felipe ricotta www.carolazevedo.zip.net www.myspace.com/felipericotta1 "Eu Leio Ricotta" no Orkut - www.orkut.com/Community.aspx?cmm=353210 "Eu Escuto Ricotta" no Orkut - http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=326550
(mais tarde... descendo pra almoçar, ele e ela se encontram no elevador) Vem cá, garota. Deixa eu te perguntar uma coisa. Afinal de contas, quantas você consegue ser num mesmo dia, hein? Almoça comigo? Não pode, é? Teu namorado não vai gostar? Foda-se ele, quero roubar você pra mim. Quer almoçar? (...)
(horas atrás quando o sol mirrado de são paulo botava as manguinhas de fora) Na piscina, ela ajeitou o biquini e fez questão de me mostrar um pouco mais do que não devia. Ela já sabe o que eu gosto de ver e (o) que me deixa louco. - não entendeu o parêntese ali no "o"? pensa que pode ser tanto um olho ou um mamilo. ou então é apenas uma forma de te dizer que a frase funciona bem em ambos os significados. Eu realmente levava fé que as pessoas tinham que ser mais verdadeiras pra que possa ser mais fácil que os malandrões às enganem e o mundo continue a ser uma grande merda. Mas daí eu percebi que os malandrões sempre se fodem a longo prazo, gozam rápido a curto prazo e quando bate o recalque, ainda ficam te tirando de lentos. (...)
"Meu deus, eu tô criando um exército de monstros ao meu redor." - é a mania de achar que eu sou o único malvado da história. nessas horas, eu tenho liberdade pra fazer o que eu quiser e a culpa vai pro saco, eu não tenho culpa se você não é feliz com a vida que leva. (...)
(enquanto isso, no mundo virtual) "Ahan, alá. Entrou no msn e saiu logo em seguida. eu sei o que é isso, tá procurando alguém." "Que nada, amiga. Tá só querendo promover mais alguma coisa, repara." "Sabe o que outro dia me disseram? Coisas terríveis, se eu te contar você não acreditar..." "Ai, amiga. Eu fico pensando quando que a gente vai conseguir ficar sem falar mal dos outros."
Mulher é foda. (...)
(enquanto isso, de volta à piscina no outro mundo, o dos aparelhos celulares) "Geraldo?" "Quié, mulé?! Deixa eu dormir, porra." "Geraldo, eu tô aqui na piscina e tem um coroa gordão me comendo com os olhos." "Sério?" "É sério." "Porra, então dá pra ele." "Não rola, ele é muito velho." "Então faz o seguinte..." (...)
(foi quando eu sentei do lado dela e falei OI) "Oi, qual o seu nome?" "Meu nome é Bia." "Ah é? E você curte o quê?" "Eu curto esse som aqui. Escuta." - ela me deu o headphone e durante o trajeto da mão dela saindo de seu ouvido e chegando perto do meu, eu não consegui deixar de olhar pro decote do biquini, essa parte é muito importante porque elas sempre percebem quando esse olhar é muito desesperado. "Sério?" - fiquei ouvindo um tempo e pensando que classe é olhar pro decote fazendo cara de "desculpa, não deu pra controlar". "Sério, ela tá bombando. Assiste no MTV Overdrive." - mercha, olha. (...)
"Oi, tudo bem? É o seguinte, eu liguei pro meu marido pra ele passar óleo nas minhas costas mas ele tá dormindo. Será que o senhor poderia me fazer essa boa ação?" "A parada é a seguinte, vadia. Se tu quiser ir lá pra cima foder comigo, a chave do meu quarto tá aqui, sobe lá, me espera sem roupa deitada na minha cama e eu resolvo teu problema."
"?!"
"E espero que o seu marido não fique sabendo disso, porque se ele vier de graça, arrebento a cara daquele otário."
"Nossa, como o senhor é um filho da puta, hein?"
O cara virou de lado na cadeira pra tomar sol nas costas e disse:
"Pega a chave, taí embaixo da minha camisa."
Ela ficou um tempo sem saber o que falar paradona. Depois sentou do lado dele e ficou olhando pro nada com cara de quem não tava entendendo porra nenhuma. Era tudo que ela precisava, um pouco de atitude escrota masculina.
"Sabe aquela garotinha ali do biquíni verde, maria?"
"Meu nome não é Maria."
"Foda-se, eu vou te chamar de Maria. Sabe aquela ali?"
"Quê tem ela?"
"Comi ela semana passada."
"Sério? Me conta. Mas ela não é a mulher daquele cara que faz a novela das sete, o ______ _______?"
"Que nada, esse meio artístico é uma putaria só. Tu acredita mermo naquelas vidinhas perfeitinhas que vendem na Caras? Quando o cara viaja pro Rio, ela sempre dá pra outros caras, falou pra mim que não consegue ficar sem."
"Olha, gostei de você, amigo." (...)
(ela acordou, ligou a tv, tava passando o programa preferido dela. depois de um tempo, o celular tocou) "Alô." "Oi, meu amor. Tudo firmeiiza? Eu hoje acordei com uma puta vontade de cair pra Maresias, que tal, hein?" "Ai, olha. Posso te ligar mais tarde porque agora eu tô vendo tv?"
Foi pro banheiro, tinha dormido só de calcinha. Vestiu o biquini e desceu pra piscina com o headphone no ouvido. (...) Ah, e apertou o botão vermelhinho do celular com gosto na cara do namorado 15 minutos depois quando ele ligou de novo. * Felipe Ricotta é artista sensível com feeling.
A gente acabou almoçando aquele dia, se apaixonando, ela terminou com o namorado três meses depois, a gente se encontrou numa festa, tivemos a pior foda do mundo na madrugada. Mas o amor brotou mermo foi de manhã quando a gente acordou e teve a melhor foda de nossas vidas. A gente queria até casar nas primeiras duas semanas, ficávamos falando disso na maior ironia até que ela se encheu, acabou voltando com o namorado depois da nossa primeira briga numa madrugada no Café Paris e agora eu tô aqui pensando nela, que nunca existiu de verdade.
RICOTTA. NO UNDERGROUND E NO MAINSTREAM.
Escrito por Felipe Ricotta às 00h31
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